Pai Benedito
Pai
Benedito é um velhinho bem simpático, de poucas falas, tem os cabelos e a barba
bem branquinhos, olhos castanhos claros e bem negro. Viveu em Angola entre o
ano de 1608 a 1630, logo depois foi vendido como escravo para fazendeiros
brasileiros. Viveu sempre em cativeiro, trabalhando na lavoura de
cana-de-açúcar. Naquele tempo já possuía o dom da cura, pois com as ervas já
curava os ferimentos de seu povo, que eram feitos através das chibatas dos
feitores e do trabalho árduo dos engenhos. Pai Benedito teve muitos filhos e
netos, bisnetos, etc... Morreu aos 98 anos de velhice, cansado daquela vida.
Mas antes de morrer tinha esperança na libertação de seu povo e de uma vida
digna, em liberdade. Por serem espíritos que sofreram aqui na terra, são
espíritos calmos, de muita sapiência, pois na época a única coisa que possuíam
era à força de nosso Pai. Na falange dos Pretos Velhos, é benzedor,
mandingueiro, usa ervas e mel em seus trabalhos. Fuma cigarro de palha,
cachimbo e às vezes charutos, toma água com mel e marafo com mel. Gosta de um
bom feijão com farinha e rapadura. Seu temperamento é paciente, bom
conselheiro, não fala muito. Não aprecia curiosidade inútil. Trabalha na umbanda
e no quimbanda junto com Omulú, quando tem mandinga para ser tirada. Não gosta
de injustiça, traição e nem orgulho e soberba de filho que trabalha em cajuá e
nem de consulentes. Usa uma guia de contas de Nossa Senhora com crucifixo de
madeira e duas figas uma de arruda e outra de guiné preta e vermelha ou preta e
branca. Trabalha com o médium há algumas encarnações. Tem como cambone
espiritual Pai Tomé que assume os trabalhos quando está na Quimbanda. Pai
Benedito de Angola, trabalha para o homem físico no mundo material e no mundo
espiritual, com as ervas de Oxóssi. Na Umbanda e na Quimbanda seus trabalhos
são feitos nas matas e no cemitério, cruzeiros das almas.
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